sábado, 15 de abril de 2017

Todos os dias

Um ponto sem retorno. A saudade
a chorar baixinho
e a mendigar pontes antigas
abandonadas por dentro dos lábios.

Um silêncio absurdo corre pelas águas
da insónia

e o tempo a mover-se
ávido de luz
e da proximidade das raízes.

Escreves a palavra
mãe
e dizes o indizível

na linha reta da sílaba.



B.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Dias de habituação


Trazemos nos olhos as sementes
a povoarem o silêncio que vive nas palavras.
Gememos baixinho o cansaço das árvores ressequidas
repouso de sombras e fantasmas.
Deslizamos as mãos pelas paredes da memória
onde ressoam todas as vozes por cumprir.

Retornamos ao monólogo
sem pontes que nos atravessem
nem poentes que nos abracem.

É tudo tão absurdo no emaranhado
de raízes que nos apodrecem nas mãos.

Na impossibilidade de refazermos
o encontro dos dedos
apagamos os lugares que ainda existem
irremediavelmente desabitados no corpo macerado do esquecimento.



B