domingo, 14 de outubro de 2012

À Deriva, o Tempo



Tu eras a tarde
a escutar o silêncio das marés
e um horizonte feito de lagos
a levar os meus olhos
dentro dos teus.
Eras a pele
e o veludo da primavera
e nos teus lábios eu lia
rubras melodias
quando o pôr do sol nos trazia
a eternidade da luz.
Planícies de sol inundavam o verde dos dias
quando amanhecia
e a nascente floriam os girassóis
a flutuar na tela de um tempo
à nossa espera.

Não sei aceitar o que aconteceu. O meu olhar
é hoje um lugar
sombreado de saudade
é o vento a guardar nas mãos
um deserto
é uma gota de água a arrastar
para dentro da terra
raízes de solidão.

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