terça-feira, 9 de outubro de 2012

Brechas

 
 
Depois...
o tempo foi passando
vazio rápido lento
enchendo-me de carne
e roendo-me os ossos

martelando-me os ouvidos
enterrando-me farpas na cabeça

abrindo brechas
cada vez mais fundas e perplexas
entre mim
e o mundo que me rodeia

quando dou por mim
já cá não estou

estou nas copas das árvores
não
minto
estou no avião que as sobrevoa

e quando regresso
a noite não dorme
vagueia
escorre sem nexo em ponteiros mortos
insana
à toa.

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