domingo, 8 de dezembro de 2013

As cores do amor




O amor
é às cores.
É azul de uns olhos
com pintinhas castanhas.
É o ouro dos cabelos
que tocam um rostinho rosado.
É a cor da madeira
que abriga um Natal
vermelho e dourado.
É a cor do verão
e o verde das palmas
em Maiorca.
É a cor do sorriso
do menino que vive só.
É a cor da serra
e do vale
onde cresce o amor.

B
05.03.97

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Os ramos que me crescem longe

É tempo de romper o barulho ensurdecedor das pedras
e ser fio de água clara
a correr no silêncio
que se desprende das nuvens;

saber ser a cor do mar
a rimar com o perfume
da madrugada;

semear no vento a voz das marés
a acordar cá dentro a loucura
dos pássaros adormecidos
a calar os uivos feridos do deserto;

escrever horizontes no interior da noite
o poema
a inventar paisagens
em dias de palavras
improváveis;

para que o pôr do sol
seja uma manhã inteira
e os ramos que me nasceram
de entranhas de linho
e de fogo
e me crescem longe
floresçam
terra e semente
nos girassóis que plantei
no chão que me habita a casa.

B
06.04.12

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Inconformidades


Havia uma subtil primavera de luz
albergue de eternidades
e dos voos inocentes dos olhos
preparados para nascer. Sabia as tardes
de pássaros
e as sílabas abertas e errantes
a ousar no delírio dos lábios.

Decompus palavras em silêncios
e água
quando nas minhas mãos plantei um punhado de terra
e me ensinei a respiração das flores.

Regresso desse tempo de verbos acontecidos
à soleira de ruas sem nome
fachadas de esquecimentos.

Arde-me na voz o exílio dos ramos

extingue-se a meus pés
o último clamor das árvores.

De que dias se constrói
a desconstrução dos muros indecifráveis
de uma alma de tudo ou nada?

B
03.11.13