segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Inconformidades


Havia uma subtil primavera de luz
albergue de eternidades
e dos voos inocentes dos olhos
preparados para nascer. Sabia as tardes
de pássaros
e as sílabas abertas e errantes
a ousar no delírio dos lábios.

Decompus palavras em silêncios
e água
quando nas minhas mãos plantei um punhado de terra
e me ensinei a respiração das flores.

Regresso desse tempo de verbos acontecidos
à soleira de ruas sem nome
fachadas de esquecimentos.

Arde-me na voz o exílio dos ramos

extingue-se a meus pés
o último clamor das árvores.

De que dias se constrói
a desconstrução dos muros indecifráveis
de uma alma de tudo ou nada?

B
03.11.13

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