terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Os ramos que me crescem longe

É tempo de romper o barulho ensurdecedor das pedras
e ser fio de água clara
a correr no silêncio
que se desprende das nuvens;

saber ser a cor do mar
a rimar com o perfume
da madrugada;

semear no vento a voz das marés
a acordar cá dentro a loucura
dos pássaros adormecidos
a calar os uivos feridos do deserto;

escrever horizontes no interior da noite
o poema
a inventar paisagens
em dias de palavras
improváveis;

para que o pôr do sol
seja uma manhã inteira
e os ramos que me nasceram
de entranhas de linho
e de fogo
e me crescem longe
floresçam
terra e semente
nos girassóis que plantei
no chão que me habita a casa.

B
06.04.12

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