sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Premonições


Cantam os rios

ébrios de mar.



Hão de marear

_ digo-lhes eu _



Hão de flutuar

os rios. Erguer-se do silêncio

e partir

no círculo mais alargado

da vertigem.



Hão de olhar para trás

os rios

os dedos hesitantes estendidos por entre

os nomes

amarrados às margens.



Olhares que o coração não detém.



Hão de cair

desgovernados

os rios. Como folhas de outono

que sempre se anunciarão banhadas de amanhãs

diante da primavera.



Chegam e partem

as estações



e os rios

perdidos de ébrios

em busca do vento que lhes atravessa

as palmas das mãos.



Vão marear

os rios.



Hão de voltar

_ digo-te eu _



ébrios de espanto e de pranto e memórias.



B