domingo, 28 de agosto de 2016

Morbidez de um dia entediado


Dizem
que o tédio
mata.
Não sei
se
de repente
a morte
passa
e leva
também
o tédio.
Sei
que o tédio
não passa e

l
e
n
t
a
m
e
n
t
e

vai levando
a Vida.


B.
25.02.10

Pausa

Derramo-me indolente
na nudez de horas pacientes
ao abandono do dia
rabiscando a vida
que desliza
escorregadia
despida
voltada para cenários cristalizados.


Chamam-me as cinco badaladas
esvai-se a juventude cálida
difusa
entre distantes rumores
de búzios segredando amores
vultos que se afundaram
fantasmas de um sono vão
dentro da tarde quente e cansada.


B.
07.01.10

Ciclos


As idades dissiparam-se em silêncios
dentro das molduras que sorriem
na prateleira
da lareira.
Limpo na cinza acumulada
a descrença no recomeço dos ciclos
e sopro o tempo
em espirais de vultos imortais.


B.
02.01.10

sábado, 27 de agosto de 2016

Viajar entre versos

Passo
e vou deixando
ecos de mim em todos os espelhos.

Ficam olhares presos nos tempos,
a pele colada a relógios
que perdem a noção do espaço
e do movimento certo
e começam a rodar no sentido inverso.

Desvendo-me toda,
célula por célula,
entrego a minha essência a quem quiser lê-la.

Sabendo quem sou
e para onde vou,
suspendo-me em versos em que lavo a alma,
em busca do êxtase,
ou tão simplesmente, de uma doce calma.

Regresso,
quase sempre entre sentires desencontrados,
etérea, mendiga,
sedenta, isso sim, de uma mão amiga
dispersa,
esbatida em reflexos desfocados.



B.