domingo, 4 de setembro de 2016

À margem do tempo

És talvez o silêncio do poema
a conter-se
ao fundo dos olhos
o reflexo da pedra num espelho convexo
o verso esmagado pela demora
do tempo.

És talvez um eco
um murmúrio do vento
a margem sombria de um regato em viagem
a face traída
do sentimento.

És talvez a minha voz ausente
a imagem esquecida
num hiato
a linguagem fria do presente
o desdém da palavra a gritar invernia
num tempo que morre
seco
dia a dia
hora após hora
lá fora.


B.

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