quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A transfiguração da sombra

Queria entender os rituais das marés
no retorno dos pássaros
aqueles que viajam infinitos
amainando a crispação das águas
e espelham o arco-íris no seu voo intemporal.

Queria reconhecer palavras nítidas
nos teus olhos e com elas
escrever a primeira floração de abril
e em manhãs escorregadias crer
na esquiva ilusão da cor
e na sábia transfiguração da sombra.

Queria suspender na memória dos rios
a lenta respiração da casa
nela descerrar a luz que inunda
a madrugada
e anunciar o regresso dos barcos
à certeza de braços que lhes são porto e preia-mar.



B.

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